Da para separar futebol e política?

Não tem como separar o futebol da sociedade, portanto não se pode separar o futebol da política. A Seleção Espanhola decidiu jogar um dos seus amistosos de novembro, ou seja, deste sábado, em um país que vive uma ditadura e a polêmica tomou conta dos meios de comunicação por aqui.

Guiné Equatorial

as.com

A seleção campeã do mundo estará na Guiné Equatorial neste sábado para disputar um amistoso com a seleção local. De acordo com a Federação Espanhola o país foi escolhido depois que a Fúria não conseguiu negociar nenhum jogo na data no continente. Como na terça a Espanha enfrentará a Seleção da África do Sul, a Federação queria encontrar outro país “no caminho” para jogar o amistoso de sábado. Como não chegou a um acordo econômico com nenhum dos desejados, ou não encontrou condições, resolveu jogar na Guiné Equatorial. O país foi colônia espanhola até 1968, quando deixou de ser território espanhol e passou a ser controlado pelo ditador Francisco Macías Nguema. Atualmente é governado pelo também ditador Teodoro Obiang, sobrinho do ex-presidente, um dos governantes mais ricos do mundo – em função do petróleo encontrado no país. Apesar das riquezas, a Guiné Equatorial é um dos países mais pobres do mundo. A decisão da RFEF está sendo duramente contestada pela sociedade espanhola. Qual o objetivo deste jogo?

A Federação diz que não cobrou nada pela partida, apenas ficará com seus direitos de transmissão e afirma que não participará de nenhum ato público com o presidente do país. Há quem opine que a população do país não tem culpa de estar em um regime ditatorial e que merece ver a Fúria jogar. Outros afirmam que o fato da campeão do mundo se apresentar em solo onde a liberdade praticamente não existe é apoiar o fato.
A verdade é que, como diz o diretora do jornal AS, Alfredo Relaño, em sua crônica de hoje “É um jogo para nada, consequência desastrosa de decisões inconsequentes”. Um seleção do porte da Espanha, atual Campeã do Mundo, não precisava se meter neste lío, como eles dizem por aqui. E se resolve se meter deveria claramente repudiar o que acontece naquele país e enfrentar os riscos de de assumir a postura que se espera de uma grande seleção. O futebol pode ser utilizado como uma ação diplomática, mas neste caso não está servindo para nada.

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